Talvez você já tenha percebido que temos períodos cada vez mais quentes ou mais chuvosos. Calor extremo, chuvas fortes, enchentes, alagamentos, períodos de estiagem ainda maiores… tudo isso tem sido notícia, mas nada disso é causado por ‘forças da natureza’, são resultados do agravamento das mudanças climáticas e o nome dado a este estado é crise climática.
A crise climática é agravada diretamente pelo uso contínuo de fontes fósseis, como petróleo, gás natural e carvão, que ainda sustentam grande parte da produção global de energia; sempre que um carro circula movido a gasolina, um caminhão transporta cargas utilizando diesel, o agronegócio desmata para abrir novas áreas de pastagem ou monoculturas, ou recorremos à queima de carvão para atender à demanda energética, ampliamos a emissão de gases de efeito estufa (GEE), que intensificam o efeito estufa natural, aceleram o aquecimento global e, consequentemente, impulsionam as mudanças climáticas já em curso.
Isso fez com que, por exemplo, o ano de 2024 fosse o mais quente da história da humanidade, com cerca de 1,55 graus acima do período pré-industrial.
Esse cenário não é acidental. É resultado direto do modelo de produção e consumo do capitalismo pós-industrial, baseado na lógica da expansão infinita e na exploração sem limites da natureza e das pessoas. Explorar e queimar cada vez mais fontes fósseis significa intensificar a crise climática, colocando em risco a vida humana na Terra e os direitos de todas as populações, especialmente das mais vulnerabilizadas, como povos indígenas, pessoas negras e mulheres, que já sofrem de forma desproporcional seus impactos.
Diante desse quadro, a necessidade é urgente: precisamos transformar profundamente a forma como produzimos e consumimos energia. Isso implica substituir a exploração de petróleo, gás natural e carvão por modelos verdadeiramente renováveis, sustentáveis e democráticos. Implica, sobretudo, construir uma transição energética justa e popular, capaz de proteger vidas, reduzir desigualdades e garantir um futuro possível para as próximas gerações.